Severino Araújo de Oliveira (Limoeiro, Pernambuco, 23/4/1917).
Seu pai era professor de música e regente da banda local e a mãe fazia da música sua diversão predileta. Além dele, os irmãos também tornaram-se músicos, todos sendo integrantes mais tarde da Orquestra Tabajara. Manuel como trombonista, Plínio como baterista, José, mais tarde, conhecido como Zé Bodega, seria sax tenor e o mais novo, Jaime, seria o primeiro saxofone. Começou a estudar música aos seis anos de idade, tendo aulas com o pai. Aos oito, tornou-se assistente do pai. Com 12 já tocava clarinete. Em 1933, sua família mudou-se para o interior da Paraíba, indo residir na cidadezinha de Ingá, a mesma que inspirou o compositor Joubert de Carvalho a compor a célebre canção "Maringá", que daria nome posteriormente à cidade do norte do Paraná.
Aos 16 iniciou sua carreira artística fazendo arranjos para a banda da cidade de Ingá para onde a família se mudara. E tocando clarinete, quando necessário. Sua fama como clarinetista se espalhou e em 1936 foi convidado para integrar como primeiro clarinetista a banda da Polícia de João Pessoa. Mudou-se então para a capital paraibana, onde durante um ano tocou na banda da Polícia. Em 1937, o governo da Paraíba fez uma série de contratações para a recém-inaugurada PRI-4, a emissora oficial, inclusive uma orquestra inteira, a Tabajara, que já existia animando diversos bailes na região. Nessa época, entretanto, vários de seus componentes tiveram de deixá-la, pois foram convocados para o serviço militar. O maestro Luna Freire teve então de contratar músicos no Recife e convidou Araújo para juntar-se à mesma como primeiro clarinetista. Em 1938, o regente e pianista Luna Freire faleceu repentinamente e a direção da rádio resolveu convidar Araújo para assumir a orquestra. Impôs como condição para assumir a orquestra a contratação de mais um trombone, um saxofone e um trompete. Chamou então, os irmãos Manuel e Jaime, além de um ex-colega da banda da Polícia de João Pessoa. Até deixar a Paraíba, a orquestra era composta de três trompetes, três trombones e quatro saxofones, além do ritmo com quatro elementos. Mais tarde entrariam na orquestra seus dois outros irmãos.
Em 1943, foi convocado para o Exército, indo servir durante um ano, no 15º R.I. num lugar chamado Aldeia, no interior de Pernambuco. Nessa época, compôs seu famoso "Um chorinho em Aldeia", que se tornaria seu primeiro sucesso popular. Em 1944, recebeu, através do ex-colega Porfírio Costa, convites para trabalhar profissionalmente na capital do país. Os convites eram do Cassino Copacabana e da Rádio Tupi. Aceitou o convite da Rádio Tupi e embarcou para o Rio de Janeiro. Nesse período foi contratado pela gravadora Continental onde gravou seus primeiros discos, ainda em outubro de 1944. No primeiro, dirigindo uma orquestra de estúdio, acompanhou o cantor Déo no frevo "Vou pra Pernambuco" e no samba "Vaidade de mulher". No segundo, apenas com orquestra, gravou os frevos "Chegou a minha vez" e "Pitiguary". No terceiro, fez o acompanhamento orquestral para o cantor Jorge Tavares no samba "Apareça quem disse" e no frevo "Regina". Ainda em fins de 1944, apresentou na Rádio Tupi com a Orquestra Marajoara o choro "Chorinho em Aldeia", com magistral interpretação de clarinete. Essa transmissão ocorreu num domingo e foi gravada em acetato pela emissora. Já na segunda-feira inúmeros telefonemas pediam para que a rádio reprisasse a gravação. Em 1945, obteve um grande sucesso e que se tornou um clássico da MPB, o choro "Espinha de bacalhau" de sua autoria gravado com a Tabajara, que no mesmo ano chegou ao Rio de Janeiro também contratada pela Rádio Tupi.
Em 1946 gravou, entre outras, os choros "Brejeiro", de Ernesto Nazareth, "Sonoroso", de K. Ximbinho e "Molengo", de sua autoria e a marcha "Cidade maravilhosa", de André Filho, em ritmo de samba. Em 1947, gravou, entre outras composições, os choros "Malicioso", de Geraldo Medeiros e "Um chorinho para clarinete", de sua autoria, o frevo "A mamata é boa", de Jones Johnson e o frevo-canção "Voando pra Recife", de Jonas Cordeiro. Em 1949, gravou com Claudionor Cruz no vocal o choro "Cintilante", de Claudionor Cruz e José de Freitas. Gravou ainda no mesmo ano, de Noel Rosa e Vadico o samba "Feitiço da Vila", além de diversos frevos, entre os quais "Januário no frevo", de Jonas Cordeiro, "O Macobeba vem aí", de Levino Ferreira e "Zé Carioca no frevo", de Geraldo Medeiros.
Em 1951, gravou os frevos "Tá esquentando", de Zumba e "Último dia", de Levino Ferreira e o frevo-canção "É frevo, meu bem", de Capiba, com vocal de Carmélia Alves. No mesmo ano, apresentou-se com enorme sucesso juntamente com a orquestra americana de Tommy Dorsey nas festividades de inauguração da TV Tupi. Em 1952, gravou de sua autoria os choros "Saxomaníaco", "Mirando-te" e "Um chorinho em Cabo Frio" e o baião "Baião pra maluco". No mesmo ano, viajou com sua orquestra para Paris acompanhado do vocalista Jamelão para fazer uma apresentação de carnaval. O sucesso foi tão grande que acabaram ficando um ano em Paris.
Em 1954, gravou de Capiba, com vocal de Carmélia Alves, o frevo-canção "Vamos pra casa de Noca?" e os frevos "Gracinha no frevo", de Levino Ferreira e "Centenário", de Geraldo Medeiros. Nesse ano, encerrou-se o contrato com a Tupi e a orquestra saiu em excursão pelos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Retornaram ao Rio no meio do ano e em novembro partiu em nova excursão desta vez aos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 1955, saiu com sua orquestra em excursão a Montevidéu onde permaneceram por 40 dias. No mesmo ano, foram contratados pela Rádio Mayrink Veiga, onde a orquestra permaneceu por quatro anos. Nesse período gravou o LP "A Tabajara no frevo", com uma coletânea de frevos. Ainda em 1955, foi escolhido pelo crítico Silvio Túlio Cardoso, através da coluna "Discos populares" escrita por ele para o jornal O Globo, como o "regente da melhor orquestrar do ano", recebendo como prêmio um "disco de ouro" entregue em cerimônia no Golden Room do Copacabana Palace. Em 1959, gravou o samba "A felicidade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Em 1961, gravou o LP "Recife 400 anos", com diversas composições em homenagem à capital pernambucana, entre as quais "400 anos de glórias" de sua autoria, "Recife, capital do frevo", de Geraldo Medeiros, "Diabo solto", de Levino Ferreira e "Homenagem a Recife", de Geraldo Medeiros e F. Corrêa da Silva. No mesmo período, gravou o LP "12 ritmos brasileiros" no qual sua orquestra interpretou samba, baião, marchinha, toada, maxixe, marcha de rancho, capoeira, samba-canção, coro, maracatu, cateretê e frevo.
Em 1962, foi contratado com sua orquestra pela Rádio Nacional onde permaneceu por dois anos. Pouco depois assinou contrato com a TV Rio, com uma nova formação da orquestra, incluindo então os trompetes de Hamilton, Geraldo e Mozart; os trombones de Manuel Araújo, Edson Maciel, Zanata e Tião, os saxofones de Jaime Araújo, Odilon, Hélio Marinho, Jaime Ribeiro e Genaldo e os percussionistas Oscar, Gabriel, Plínio, Chiquinho, Elias e Freitas. Em 1967, lançou pela CBS o LP "A Tabajara no hit parade" com diversos sucessos daquele momento entre os quais "Eu te darei o céu", de Roberto e Erasmo Carlos, "Namoradinha de um amigo meu", de Roberto Carlos e "O chorão", de Luiz Keller e Edson Mello, entre outras, além de composições estrangeiras.
Em 1968, ao terminar o contrato com a TV Rio, resolveu aposentar-se após 35 anos de trabalho. Mas a aposentadoria não foi definitiva pois prosseguiu fazendo bailes e shows. Em 1975, a Continental lançou o LP "Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara", fazendo um apanhado da carreira do maestro e de sua orquestra em 12 gravações. No mesmo ano, a Odeon lançou o LP "Severino Araújo e Orquestra Tabajara" dentro da série Depoimento em seu volume 1, trazendo regravações de antigos sucessos e novas gravações como "Se não for por amor", de Benito di Paula, "Dente por dente", de Martinho da Vila e "Fogo sobre terra", de Toquinho e Vinicius. Em 1976, apresentou-se com sua orquestra no espetáculo "Seis e meia" no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Em 1977, a Continental lançou o LP "A Tabajara de Severino Araújo" trazendo regravações de antigos sucessos, além de novas gravações como a do choro "Tico-tico no fubá", de Zequinha de Abreu.
Nos anos 1980, apresentou-se com enorme sucesso com sua orquestra na "Domingueira Voadora", série de bailes dominicais realizados na casa de espetáculos Circo Voador na bairro da Lapa no Rio de Janeiro. Em 1991, lançou pela Fama o LP "Anos dourados", onde estão presentes diversos clássicos das Big Bands dos anos 1930 e 1940. A orquestra continuou com o maestro Severino Araújo à frente durante os anos 90 fazendo shows e realizando gravações num verdadeiro recorde de longevidade. Lançou mais de 100 discos entre 78rpm e LPs. O maestro teve sua biografia escrita pela jornalista Beatriz Coelho Silva. Em 1997, completou 80 anos de idade ainda à frente da Orquestra Tabajara. Em 2000, regeu a Orquestra Tabajara no acompanhamento do cantor Jamelão no CD "Por força do hábito". No mesmo ano, completou 60 anos à frente da Orquestra Tabajara revivendo a "Domingueira Voadora", então na Fundição Progresso, centro cultural no bairro da Lapa no Rio de Janeiro. Lançou também mais um CD da orquestra com músicas de Carlos Gomes e Chiquinha Gonzaga, entre outros. Em 2003, no aniversário de 70 anos da Orquestra Tabajara regeu o beile de número 13.644 da orquestra. Em 2004, com a reabertura do Circo Voador voltou a reger a Orquestra Tabajara no tradiconal baile da "Domingueira Voadora". Em 2005, regeu a orquestra Tabajara no show de fechamento da série "Orquestras Populares Brasileiras" no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.
Obra
400 anos de Glória • A Tabajara em Recife • A Tabajara no frevo • Água com açúcar • Baião pra maluco • Beijos de mel • Brincando com o trombone • Choro, etc... clarinete... • Compassivo • Comprando barulho • Espinha de bacalhau • Mirando-te • Molengo • Na penumbra • Nego véio (c/ Arnaldo Tavares) • No tempo da polca • Noninho • O frevo no Rio • Oh! Clarinete gostoso • Pensando em você • Prefixo • Puladinho • Saudades do Norte • Saxomaníaco • Um chorinho delicioso • Um chorinho e tanto • Um chorinho em Cabo Frio • Um chorinho em Montevidéu • Um chorinho em Pinhal • Um chorinho na aldeia • Um chorinho para clarinete • Um chorinho pra você • Um passeio contigo
Discografia
• Chegou a minha vez/Pitiguari (1945) Continental 78
• Um chorinho em aldeia/Onde o céu azul é mais azul (1945) Continental 78
• Espinha de bacalhau/Guriatã de coqueiro (1945) Continental 78
• Brejeiro/Sonoroso (1946) Continental 78
• Molengo/Cidade maravilhosa (1946) Continental 78
• Primeirão/Tempestade (1946) Continental 78
• Poeira de estrelas/Sonhando (1946) Continental 78
• Pra que contrariar/Veneno é mato (1946) Continental 78
• Rhapsody in blue/Um chorinho prá você (1947) Continental 78
• Malicioso/Um chorinho para clarinete (1947) Continental 78
• Sai, palhaço/A mamata é boa (1947) Continental 78
• O carnaval chegou/Voando pra Recife (1947) Continental 78
• Peguei a reta/Um chorinho e tanto (1948) Continental 78
• Mais uma vez/Begin the beguine (1948) Continental 78
• Colombina/Sustenta o ritmo (1949) Continental 78
• Déo no frevo/O tocador quer dançar (1949) Continental 78
• Cintilante/Chro, etc...clarinete... (1949) Continental 78
• Agora é que eu quero ver/Hugo no frevo (1949) Continental 78
• O tocador quer dançar/Januário no frevo (1949) Continental 78
• O Macobeba vem aí/Furiosa (1949) Continental 78
• Frevo dos Vassourinhas nº1/Zé Carioca no frevo (1949) Continental 78
• Feitiço da Vila/Um chorinho delicioso (1949) Continental 78
• Zé Pereira/Assim é espeto (1949) Continental 78
• Passou/No tempo da polca (1950) Continental 78
• Nego véio/Meu sublime torrão (1950) Continental 78
• A Tabajara no frevo/Tá esquentando (1951) Continental 78
• Último dia/Tudo dança (1951) Continental 78
• É frevo meu bem/Frevo na chuva (1951) Continental 78
• Oh! Clarinete gostoso/Habanera (1951) Continental 78
• Chuá, chuá/Sempre (1951) Continental 78
• Fechou-se o tempo/Cristina no frevo (1951) Continental 78
• Azeitem as molas/Relembrando o norte (1951) Continental 78
• Rompendo onda/Deixa o homem se virar (1951) Continental 78
• Mirando-te/Baião pra maluco (1952) Continental 78
• Um chorinho em Cabo Frio/Saxomaníaco (1952) Continental 78
• Chorinho da Nice/Natureza bela (1952) Continental 78
• Babá de moça/O galo ciscando (1953) Continental 78
• Vais querer?/Tudo pode acontecer (1953) Continental 78
• O frevo no Rio/Tio Sam no frevo (1953) Continental 78
• Compassivo/Um passeio contigo (1953) Continental 78
• Não tem solução/tema lógico (1953) Continental 78
• Chorinho na gafieira/Não ponha a mão (1953) Continental 78
• Camisa velha/Vamos pra casa de Noca? (1954) Continental 78
• Gracinha no frevo/Centenário (1954) Continental 78
• Recordando o Ingá/Manhoso (1954) Continental 78
• Prefixo/Brincando com o trombone (1954) Continental 78
• Uma coisa diferente/Meiguice (1954) Continental 78
• Pé na táboa/A saudade é assim (1955) Continental 78
• Esquenta salão/Lágrimas de colombina (1955) Continental 78
• Era uma noite de festa/Um chorinho em pinhal (1955) Continental 78
• Um chorinho em Montevidéu/Mentiras de amor (1955) Continental 78
• Pernambuco/Pra ninguém reclamar (1955) Continental 78
• Pinga fogo/Frevo na garoa (1955) Continental 78
• Recife antigo/assim é que eu gosto (1955) Continental 78
• The Continental/Puladinho (1956) Continental 78
• Estamos conversados/Rio noturno (1956) Continental 78
• Hoje ou amanhã/Favela (1956) Continental 78
• Agüenta o galho/Eu e você (1957) Continental 78
• Velha-guarda/Mayrinkianos (1957) Continental 78
• Coco tará-tá-tá/Favela (1957) Continental 78
• Pensando em você/Noninho (1957) Continental 78
• Limoeiro em folia/Castigando (1957) Continental 78
• Escape livre/Diz que sou gostoso (1957) Continental 78
• Na penumbra/Prece (1958) Continental 78
• Êxtase/Espinha de bacalhau (1959) Continental 78
• A lenda do beijo/A felicidade (1959) Continental 78
• Recife/Homenagem a Recife (1961) Continental 78
• Saudades de alguém/Bom mesmo é mulher (1961) Continental 78
LPs
• A Tabajara no frevo [S/D] Continental LP
• Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara [S/D] Continental LP
• Recife 400 anos (1961) Continental LP
• 12 ritmos brasileiros (1962) Continental LP
• A Tabajara no hit parede (1967) CBS LP
• Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara (1975) Continental LP
• Série depoimento vol. 1 (1975) Odeon LP
• A Tabajara de Severino Araújo (1977) Continental LP
• Anos dourados vol. 2 (1991) Fama LP
CDs
• Anos dourados. Vol. 2 (1994) CID CD
• Anos dourados vol. 3 (1995) CID CD
• Tabajara plays Jobim (1996) CID CD
• Orquestra Tabajara (2000) CD
Bibliografia Crítica
• AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
• CARDOSO, Sylvio Tullio. Dicionário biográfico da música popular. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1965.
• MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.
Fonte: dicionariompb
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Edital CNICEstão abertas, até 10 de agosto, as inscrições para o edital de Habilitação de Entidades para Indicação dos Membros que Comporão a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura. Para se cadastrar os interessados devem preencher o Formulário de Inscrição e reunir os documentos solicitados no edital. Outras informações: cnic@cultura.gov.br. (61) 2024-2137. |
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